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O poder das cores no design de embalagens

Por Jonas Senno

E cá estamos nós, de volta ao blog, para mais uma vez abordar um tema superabrangente que eu, particularmente, gosto muito: embalagens. No meu primeiro post, falei sobre a importância do design e dessa vez vou focar em um elemento essencial na concepção criativa: a cor.

A percepção humana é predominantemente induzida pela visão. Quando dizemos que um produto é atrativo, dificilmente estamos nos referindo ao seu aroma, tato ou formato. O aspecto visual é o que encanta e, no final das contas, as cores exercem grande poder nesse sentido.

Cores vendem mais

A cor identifica

A embalagem precisa vender o produto na prateleira. Cabe a ela atrair a atenção, despertar o interesse, ressaltar a qualidade, vencer a concorrência e fechar a venda – tudo isso em apenas alguns segundos. E o design, em especial as cores, tem papel decisivo nesse processo, principalmente se partirmos do princípio que as pessoas consomem não apenas por necessidade, mas por valor e identificação.

Significado das cores

O velho e bom vermelho da Coca-Cola

Há embalagens cujas cores já são praticamente sinônimos das marcas que as vestem. A Coca-Cola, por exemplo, é indissociável do vermelho. E essa identificação é tão forte que a maior transformação no visual do refrigerante, dentro da nova estratégia da marca, traz a nova embalagem que passa a ter o vermelho como cor predominante em todas as versões da família Coca-Cola, seguindo a nova estratégia global de "marca única".

Azul Tiffany

Um case clássico que faço questão de citar é o da famosa joalheria nova-iorquina Tiffany & Co, que tem em seu azul turquesa único a sua maior identificação, e a cor é tão vinculada à marca e às suas embalagens que teve a tonalidade patenteada pela Pantone, registrada como “Azul Tiffany”, assim como a icônica embalagem “Tiffany Blue Box”.

A cor mais feia do mundo

Mas a cor não é um elemento determinante apenas para o sucesso comercial de um produto. Ela também pode ser a causa do fracasso, se mal escolhida ou quando mal-empregada. Um exemplo é a iniciativa de governos europeus e australiano que, depois de financiarem pesquisas para descobrir a “cor mais feia do mundo” (“marrom esverdeado” – PANTONE 448C na escala Pantone), obrigou a indústria tabagista a utilizarem-na em suas embalagens, a fim de combater o tabagismo. E pesquisas posteriores apontaram que, após a ação, houve queda na venda de cigarros.

As cores e o público

A cor segmenta: case Sabor&Vida

Um bom exemplo que temos sobre a aplicação das cores em embalagens é o da Sabor&Vida, que exigiu um estudo aprofundado para eleger as tonalidades e combinações mais apropriadas para a distinção das várias linhas de produtos da marca.

Nas embalagens da Linha Tradicional, optamos pelo azul como cor principal, para seguir o tom da própria marca, passando a ideia de qualidade e confiança. E complementamos com outras cores que variavam de acordo com o sabor do produto, facilitando a identificação.

Já na Linha Light, o prata predomina e remete à leveza primordial dos produtos que se caracterizam no ponto de venda como de baixo teor calórico e de gorduras.

O roxo evoca sofisticação e foi o tom escolhido para os rótulos das embalagens da Linha Zero Lactose, para chamar a atenção do consumidor que cada vez mais procura por esse tipo de produto nas gôndolas.

E, finalmente, o verde foi a cor eleita para a Linha Funcional da Sabor&Vida. Uma tonalidade que, por si, já identifica o produto em sua categoria, excelente para a saúde e bem-estar.

Enfim, deu para compreender como é importante conhecer o significado das cores, suas associações e usos mais comuns, para não errar na hora de criar uma embalagem e ao vincular o produto a determinadas tonalidades?!

Mas uma dica que dou, para finalizar, é: não engesse a sua criatividade. Repito que é importante ter um cuidado especial ao testar novas combinações, mas não deixe de experimentar – isso também é fundamental para conceber uma embalagem realmente atrativa, que garanta o sucesso de vendas do seu produto.

Jonas Senno

Gerente de Criação

Formado em Publicidade e Propaganda, possui 20 anos de experiência no mercado, sendo 7 à frente da Criação da LabCom. Expertise em coordenação criativa, conhecimentos gráficos e design, atuando como líder em processos criativos para grandes marcas como Bombril, Schincariol e Dow AgroSciences.