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O fim se aproxima?

Por Conrado Melo

“Boston Dynamics irá comercializar o MiniSpot em 2019”

Na semana passada, esta notícia foi alardeada pelo mundo e achei pertinente escrever sobre o que pode representar para o futuro da humanidade (e se realmente devemos nos preocupar com isso).

Inicialmente, vamos esclarecer o que vem a ser a Boston Dynamics.

Trata-se de uma empresa americana de engenharia robótica que foi comprada pelo Google em 2013, e em 2017 foi vendida à Alphabet Inc., transações com valores não revelados. A Alphabet Inc., por sua vez, é a holding proprietária do próprio Google, entre outras empresas de tecnologia, ciências da vida, capital de investimento e pesquisa, sendo esta última a maior fonte de inovações e de coisas impressionantes do mundo da tecnologia.

A Boston Dynamics vem causando perplexidade com seus vídeos de testes com robôs. Confira um dos mais recentes, que apresenta o modelo Atlas correndo e saltando:

Devidamente apresentada a Boston Dynamics, vamos à sequência da manchete: “irá comercializar o MiniSpot em 2019”.

Parte do orçamento da empresa é proveniente do governo norte-americano. As pesquisas são financiadas pela DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency), agência do Departamento de Defesa do governo federal dos EUA, responsável pelo desenvolvimento de tecnologias para fins militares. Daí surgem as ideias de robôs com capacidades sobre-humanas e municiados para intervenções e guerras, além de desarmamento de bombas e outras atividades de alto risco.

Mas a notícia à qual nos referimos é que a Boston Dynamics vai comercializar seus “filhotes” ao público geral. É isso mesmo. Com valores estimados em, aproximadamente, 22 mil dólares será possível adquirir um MiniSpot, uma versão simplificada do Spot, que já foi apresentado pela empresa em vídeos em que a equipe de testes tenta causar um desequilíbrio de sustentação no robô, que, com a sua capacidade de recálculo, se ajusta em um eixo adequado aos mais variados ambientes. Confira o vídeo:

Em outro vídeo oficial, a versão MiniSpot exibe seu braço mecânico, com capacidade de manuseio de materiais sensíveis como um copo de vidro e uma lata de alumínio:

No próximo vídeo, a Boston Dynamics faz questão de exibir a força e a determinação do equipamento. E, diferente das antigas apresentações, em que os elementos de interação com os robôs sempre demandavam a impressão de um QR Code (código bidimensional de resposta rápida – Quick Response) que informava ao robô que à sua frente havia uma porta, por exemplo, este vídeo demonstra que as versões mais atuais de robôs eliminaram essa demanda, pois eles já possuem capacidade interpretativa de espaço e outras funções mais avançadas:

Por fim, o marco de tempo (2019) coloca no chinelo qualquer referência de futuro longínquo para as interações entre humanos e robôs. Bem antes do ano de 2062 de Os Jetsons; da Detroit do Futuro de RoboCop, ou da revolução das máquinas da maligna Skynet de O Exterminador do Futuro; os robôs físicos estarão entre nós em alguns meses. E a pergunta que fica é: será esse o começo do nosso fim?

Para os mais pessimistas, sim. A junção de AI (Inteligência Artificial) com a Big Data, IOT (Internet das coisas) e robótica, e a dependência cada vez maior dos humanos podem ser a fórmula perfeita para que as máquinas tomem o poder e nos tornem fontes de energia, como no filme Matrix.

Para aqueles que conseguem ver o lado positivo, este é apenas mais um capítulo da nossa evolução e a aplicação de capacidades alheias ao ser humano, sendo executadas por dispositivos carentes de sensibilidade, desgaste e leis trabalhistas. Os robôs farão tudo aquilo que os humanos estão fartos ou são inaptos para fazer.

De todas as possibilidades distópicas que o futuro nos reserva, previstos pela ficção, talvez a que mais se aproxime da nossa realidade é a da incrível animação de Wall-E, em que a humanidade se contenta com um sofá confortável, uma tela interativa à sua frente e um MiniSpot que busque um fast-food qualquer de maneira prática e rápida.


O destino está, em parte, em nossas mãos. É importante estarmos antenados e cientes do que está ocorrendo nesse sentido para mantermos a nossa capacidade de decisão. Ficar alheio e se orientar apenas por fontes de informação tendenciosas traz, não apenas o perigo de um futuro dominado por máquinas, mas, de estar sendo comandado por humanos com intenções ainda mais escusas. #FicaaDica

Outros vídeos impressionantes da Boston Dynamics:

E, para concluir, confira este vídeo sobre o primeiro inseto robótico voador sem fio:

Conrado Melo

Gerente de Tecnologia e Inovação

Com formação nas áreas de Publicidade e Propaganda e Análise e Desenvolvimento de Sistemas, atua há mais de 12 anos na comercialização, elaboração e gerenciamento de projetos nas áreas de tecnologia, inovação, redes sociais e comunicação digital. Está na LabCom há 4 anos.

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