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O bem e o mal

Por Conrado Melo

Vivemos dias conturbados, em clima de dualidade, com disputas de opiniões, argumentos e decisões. E a pergunta que fica é: de que lado você está, do bem ou do mal?

Uma das expressões de destaque desse ano com certeza é fake news, utilizada para nos referirmos a notícias falsas ou improcedentes, principalmente na Internet. Ok, papo estranho para um blog de comunicação? Nem tanto, vamos lá:

Assim como na vida, a web está repleta de coisas boas e ruins. Aqui abro um parêntese para o Facebook, que hoje para muitos é a própria internet. A rede social anunciou um novo algoritmo que diminuirá o volume de informações provenientes de portais e sites externos, (muitos deles sérios, outros nem tanto), para privilegiar as informações oriundas de usuários com maior nível de relacionamento com você. Nesse contexto, acredito que muitos viverão dentro de suas bolhas, recebendo informações duvidosas em suas timelines. E alguns sequer notarão diferença na exibição desses dados.

A questão é que o poder sempre esteve associado à capacidade de produzir e distribuir INFORMAÇÃO. É a forma mais completa de se manter ou conquistar renda e supremacia. No Brasil, onde uma emissora de TV já possuiu mais de 80% do market share, conhecemos a manipulação e a capacidade de influência que se pode atingir. Atualmente, a TV perdeu sua hegemonia, dividindo com outras plataformas a origem de informação. Não precisamos mais esperar o Jornal Nacional para sermos informados do aumento da gasolina, sobre algum acontecimento, uma comoção nacional ou uma tragédia na rodovia. Os alertas chegam a todo momento via WhatsApp, Facebook, Twitter. Mas e a credibilidade dessas notícias? Bom, assim como em relação às do JN ou do Fantástico, precisamos de discernimento para compreender que a maioria vem acompanhada de interesses e distanciamentos da realidade. As tais fake news.

Algumas delas beiram o absurdo e são mais fáceis de serem identificadas, como no exemplo:

fake news

Na realidade, esse fato foi criado por um grupo vinculado ao e-farsas, site especializado em desmistificar as farsas da web. A história completa e a repercussão você confere aqui.

Mas há notícias falsas tão bem-feitas que pegam você direitinho, e as consequências podem ser as piores possíveis. Assista e entenda: estudo revela como nasce e se espalha uma notícia falsa na web.

Ou até mesmo quando recebemos uma informação que em uma primeira visualização parece certa, já que as credenciais de quem emitiu a informação são fatores de credibilidade, como uma desembargadora, dando uma opinião jurídica em um assassinato.

E vamos além

Faço questão de ressaltar que o acesso à boa informação está à disposição de todos, mas é acessado por poucos. A questão é que hoje é bem mais comum recebermos informações irrelevantes às de qualidade, que realmente agreguem valor e proponham uma mudança benéfica de atitude ou comportamento. Sim, porque além das fake news, temos ainda aquelas postagens fúteis. E se você não sabe do que estou falando, basta fazer um breve exercício: lembra-se do último post que compartilhou em uma rede social ou do último item que encaminhou para um dos seus grupos de WhatsApp? Foi uma piada? Uma vídeocassetada? Um meme? Ou foi uma dica de alimentação, um hábito saudável? Uma dica cultural? Uma notícia boa e CHECADA? Acredito que muitos ficam no primeiro grupo de opções.  

Como afirma o biólogo e pesquisador Átila Iamarino, um dos youtubers do BEM em um excelente TED sobre educação, “antigamente a informação era o fio de água em um bebedouro em dia de seca e o professor era o responsável por ensinar os alunos a beberem essa água. Hoje a informação continua a ser a água, mas estamos em um dilúvio, e o professor deve ser o responsável a ensinar os alunos não mais a beber, mas a nadar”. Confira no vídeo:

Do bem

Sabemos de onde as informações inúteis vêm: sites de humor, youtubers que nadam em banheiras de Nutella, mídias questionáveis, sites duvidosos etc. Mas e as úteis? E as verdadeiras? Boa parte delas se originam de pessoas com boas intenções, que produzem e publicam tutoriais e instruções das coisas mais inimagináveis possíveis. Desde como abrir uma máquina de costura e fazer uma manutenção até como relaxar e dormir melhor (se te interessou, pesquise sobre ASMR no YouTube). Isso além de empresas mais antenadas, que publicam vídeos de orientações e uso de produtos; instituições e organizações que postam sobre cultura e informações realmente importantes. Enfim, a internet dispõe de uma infinidade de tutorias e cursos completos, cultivo orgânico, jardinagem, culinária, ciências, filosofia, saúde, esporte, treinamentos de elétrica, manutenção de utensílios domésticos, meditação, espiritualidade, poesia, música etc. Grandes personalidades hoje possuem canais próprios de divulgação de informação de qualidade e instrutiva. Dr. Dráuzio Varela, por exemplo, possui um canal incrível. (Confira outras dicas no fim deste artigo).

É preciso ser crítico
O consumo de informação na internet demanda critério, paciência e uma grande capacidade de interpretação de texto. Cabe ao usuário aprender e se aprimorar em buscar informações e validá-las, refutando contradições. Mais ainda: podemos produzir informação de qualidade e disponibilizar a outros pares que buscam o mesmo tipo de referências que você.

Confira aqui:
Dicas para identificar boatos na Internet.

Mais de 1 bilhão de horas de vídeos são assistidas no YouTube diariamente

Bons tempos aqueles em que as vídeo cassetadas tinham dia e hora fixos para passar! Hoje recebemos 15 vídeos por dia de coisas estúpidas acontecendo, seja de pessoas ou de seus incríveis pets de estimação. Sim, o ser humano erra, cai, fala errado, se machuca, creio que não temos mais dúvidas. Mas podemos evoluir, ter hábitos saudáveis, praticar exercícios, melhorar mental e espiritualmente. Podemos conhecer nossa essência na filosofia e buscar uma representatividade de sentimentos na arte e na poesia. Podemos buscar tudo isso na Internet, pois, na era do “bem contra o mal”, cabe a você decidir o que irá consumir e, principalmente, difundir.

Algumas dicas do bem:

E-Farsas

Boatos.org

É ou não é

TEDx Talks – Brasil

Curso em Vídeo

Exercício em casa

Xadrez Verbal

Nerdologia

The School of Life

BRS Explica

Quem Somos Nós

Não Obstante

Lúcio Big – OPS

Primata Falante

Blue Bus

Brainstorm9

Hypeness

Zupi

Gizmodo

Conrado Melo

Gerente de Tecnologia e Inovação

Com formação nas áreas de Publicidade e Propaganda e Análise e Desenvolvimento de Sistemas, atua há mais de 12 anos na comercialização, elaboração e gerenciamento de projetos nas áreas de tecnologia, inovação, redes sociais e comunicação digital. Está na LabCom há 4 anos.

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