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Design Thinking: novos desafios, novas soluções

Por Marissa Vasconcelos

Design bem pensado
O almoço de domingo está quase pronto, mas esqueceram de comprar o refrigerante para acompanhar a refeição. Você vai até o supermercado, pega uma garrafa pet de 2 litros e, depois de terminado o almoço, o refrigerante já virou história. Como o seu bairro não possui coleta seletiva, a garrafa de plástico vai parar junto ao restante do lixo comum e, de lá, segue seu caminho para os aterros coletivos, onde vai demorar décadas para se decompor na natureza.

O grande desafio do modelo mercadológico atual pode ser notado neste pequeno exemplo. Com soluções criadas para atender necessidades imediatas de matéria-prima e distribuição, muito pouco é pensado no impacto que estes produtos e ações irão desencadear em termos sociais ou ambientais. Para não ficarem para trás da concorrência e realmente se destacarem no mercado, as empresas precisam pensar em novas abordagens que englobem soluções reais, eficazes e acessíveis para seus produtos, integrando sua marca à sociedade. E é essa abordagem proposta pelo Design Thinking.

O design como ferramenta na comunicação
A função estética relacionada à palavra design limita muito o verdadeiro significado do termo. Design está muito mais ligado a planejamento e execução de ações, buscando soluções para desafios.

Ao longo da história, seu escopo foi se transformando e se expandindo. O design transpôs barreiras, entrou no campo de interações mais intangíveis e, posteriormente, passou a ser utilizado para resolver problemas mais complexos, podendo até mesmo ser aplicado em situações de negócios ou mesmo governamentais

A reformulação do design
Essa constante evolução no campo do design abre portas para novas possibilidades e a necessidade de inovação na forma de pensar. De acordo com as transformações da sociedade, é necessário pensar em novas opções que atendam aos anseios do momento, já que um modelo que se aplicava há 100 anos não é viável para os dias atuais.

O Design Thinking trabalha com esta concepção de inovação real, que engloba perspectivas diversificadas em busca da construção de um futuro melhor.

Com uma abordagem que posiciona o ser humano no centro das tomadas de decisões, o Design Thinking foge de fórmulas e pensamentos extremamente lineares para dar lugar a visões pluralizadas e oferece um espaço seguro e livre de julgamentos para que novas ideias possam ser exploradas e desenvolvidas.

As principais mudanças propostas pelo Design Thinking abordam:

  • As decisões centradas no ser humano
  • O questionamento das questões
  • A prática para o pensamento
  • A iteração

Tomando como base principal a empatia, a colaboração e a experimentação, este modelo propõe colocar-se no lugar do outro, acolhendo e entendendo a perspectiva externa, possibilitando o trabalho colaborativo, multiplicando a capacidade de entendimento do grupo e, finalmente, tirando as ideias do papel durante a construção e experimentação das soluções propostas para implementação.

diagrama

Vamos à prática!
O processo aplicado neste modelo é bastante flexível e entende os erros ocorridos durante o caminho como forma de aprimoramento e desenvolvimento de soluções melhores.

O primeiro momento a ser trabalhado é o de entendimento: desfazer-se de pensamentos prévios e pressupostos sobre o problema e colher todos os dados possíveis com uma mente aberta. É nesta hora que o grupo deve discutir sobre o desafio e absorver as diferentes perspectivas que cada membro tem a oferecer para o tema. Recursos visuais, como anotar as ideias em post its para discussão posterior com o grupo, ou mesmo anotar a frase proposta pelo problema e dividi-la em palavras individuais, são ideias para trazer uma abrangência maior àqueles termos, não os limitando ao contexto apresentado no desafio.

No momento da observação, a empatia deve estar a mil para as pesquisas de campo, e o grupo irá ouvir e interagir com as pessoas envolvidas e que serão afetadas pelo desafio proposto. É necessário estar atento a todos os aspectos possíveis, sejam físicos, psicológicos, sociais, culturais etc. Para tanto, a utilização da triangulação de pesquisas é muito útil nesta etapa, já que engloba três eixos importantes de informação:

  • As entrevistas: quando as pessoas expressam sua opinião sobre o tema;
  • A observação: do próprio entrevistador sobre o que as pessoas fazem;
  • A visão participativa de cada membro do grupo: em que realizam as ações que aquelas pessoas fazem em seu dia a dia, tendo uma noção mais clara do desafio e de suas repercussões.

Com o máximo de dados coletados, é hora da convergência de pensamentos dentro do grupo. É necessário pegar toda a amplitude de informação captada durante a observação e afunilar ao máximo possível, a ponto que seja possível compreender claramente os desejos e objetivos mais urgentes dentro do grupo estudado. Com isso, passa a ser muito mais viável a definição de uma persona para aquele desafio, que irá trazer um rosto identificável para os anseios observados. É crucial que esta persona seja estritamente baseada nos dados coletados, já que “chutes” sobre esta podem acabar sendo prejudiciais ao processo.

Dados coletados e persona definida, chegou a hora da ideação. Este é o momento para aliar a criatividade com o pensamento lógico, buscando as soluções mais viáveis, eficientes e atrativas para o desafio proposto. Reunir o grupo em um processo de brainstorming é o ideal, trabalhando em um ambiente sem julgamentos, encorajando o pensamento alheio, dando o máximo de ideias possíveis, porém sempre atento ao foco do assunto proposto.

A prototipagem vem logo em seguida do conceito ser definido durante a ideação. É a oportunidade de tirar suas ideias do papel e expandi-las, pensando em como o público irá interagir com seu conceito. Mais do que testar a proposta, a prototipagem serve para gerar novas ideias a partir do seu conceito, explorando novas possibilidades, e reduzir os problemas que poderiam não estar visíveis enquanto a ideia estava no papel.

Protótipo pronto, hora dos testes. Estar preparado para o erro é fundamental nesta etapa: é preciso entender que errar leva à correção do mesmo e à evolução de seu conceito inicial. O retorno recebido ao seu produto inicial será fundamental para a construção da solução ideal a ser implementada no final do processo. Por isso, nunca esteja com a cabeça fechada para o momento do feedback. Acolher todas as opiniões e refletir ponderadamente sobre o que foi dito, sem ficar na defensiva ou fazer julgamentos sobre a pessoa que opina, é a chave para o refinamento de seu conceito.

Com este feedback recebido, identifica-se a fase do processo a ser corrigido e este é retomado a partir deste ponto. Esta iteração é fundamental dentro do modelo do Design Thinking, sempre contínuo e flexível em busca das melhores soluções para os desafios propostos. Seguir para frente e para trás, quantas vezes mostrarem-se necessárias, é a chave para o aperfeiçoamento das soluções neste modelo.

O Design Thinking na Publicidade
Apesar de ser um modelo aplicado para diversos ramos de organização e negócios, quem trabalha com Publicidade com certeza se identificou muito em todo o processo descrito acima. Isso porque o bom funcionamento de uma agência engloba muito dos preceitos do Design Thinking em seu dia a dia.

 Desde a definição do desafio proposto durante o briefing, passando pela observação do panorama de funcionamento do cliente e como esta pode ser adequada para solucionar o desafio, para a definição de uma estratégia de comunicação pelo Planejamento, para as reuniões de brainstorming da equipe de Criação, em que as peças, textos e ações serão colocadas em prática, para finalmente apresentar ao cliente e ouvir o feedback sobre o conceito proposto, o cotidiano de uma agência respira o modelo do Design Thinking.

Porém, mais do que a definição das etapas em si, o Design Thinking traz para o centro da discussão a questão das decisões baseadas no indivíduo, o que é fundamental para qualquer área da comunicação. Ao dialogar e entender os problemas do cliente e de seu público, fica muito mais fácil chegar a uma solução que realmente atenda a seus anseios, tanto econômicos quanto sociais e pessoais.

Por isso, ao entender os preceitos desta abordagem e ao adotá-la no funcionamento da empresa, torna-se mais simples o processo contínuo de atender nossos clientes e encontrar as melhores soluções para seus desafios.

 

 Referências bibliográficas: Design Thinking na Prática

 

Marissa Vasconcelos

Editora de Arte

Publicitária, pós-graduada em MBA em Marketing, Comunicação Empresarial e Eventos. Atua há 8 anos com criação publicitária e está na LabCom desde 2016, no desenvolvimento de campanhas para grandes marcas.

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